terça-feira, 18 de março de 2014

Banco de praça - Homenagem a memória de Milton Araújo Rabayoli

Saudades de meu pai, hoje estaria com 102 anos de idade...
Milton Araújo Rabayoli, ex-combatente da 2ª Guerra Mundial.

Hoje me lembro com saudade,
do tempo que longe vai,
onde eu o via sempre ali,
com suas mãos ainda que tremulas,
sempre nervoso, agitado, falando muito,
Mas jamais cabisbaixo...
Sua atitude era de um atleta em fim de prova,
mesmo não chegando em primeiro lugar,
mas vencendo os obstáculos,
Sendo exemplo e perseverança e de trabalho...
Tu era o cara, que mesmo se arrastando
Jamais abandonaria seu fardo!
Seus olhos azuis que me encaravam no profundo,
parecia descobrir meus segredos,
sua voz forte que me aconselhava,
seus sermões intermináveis,
recheados de palavras aqui impronunciáveis...
Mas sua presença que me dava força,
me fazendo sentir me maioral!
Ali estava ele,
meu pai quase imortal!
Sentado no banco da praça Costa Pereira,
era como se ele completasse o postal do teatro,
ou mesmo como um ícone invisível
tudo se tornava pequeno ao seu lado!
Cada momento com ele era inesquecível...
Cada palavra dele era memorável!
Ainda ouço sua voz em minha mente me dizendo:
“Levanta, menino...
O verdadeiro campeão não é somente o que levanta o troféu,
mas é todo o que consegue cruzar a linha de chegada!”
Suas histórias de uma guerra passada,
enchiam-me os ouvidos como musica sagrada...
Sua mão que raramente parava de acariciar meus cabelos,
o segurar forte em minha mão que espremia meus dedos...
O abraço que dele nunca me foi negado...
Ah, meu pai... fostes um exemplo a ser notado!
Um guerreiro que jamais cambaleou,
e mesmo sendo para mim o maior dos homens,
era um homem simples que muito errou,
mas de alma tão boa e nobre,
a honestidade era seu lema
entre ricos e pobres...
Jamais me esquecerei da ultima vez que lhe vi,
ali mesmo no banco da praça...
Em meio aos transeuntes que passavam,
debaixo de um sol que ardia como sarça,
seu olhar profundo me cobriu de cima em baixo
ele agarrado estava em meu braço...
Parecia que sabia que era hora de dizer adeus,
era como se me dissesse:
Viva bem os dias seus,
não tenha medo de errar,
mas se for errar erre direito,
pois as conquistas na vida nem sempre são como tiros certeiros!
Ah, paizinho...
A vida para nós não fora generosa...
Mas nem por isso lamento
pois eu me lembro de que antes de tu ir embora
disse-me as palavras que jamais esqueci:
Homem também chora!
Quantas vezes eu quis ter você por perto,
só para me ensinar o que fazer,
quando me parece que na estrada vou perecer,
quando não sei como fazer o certo,
quando o medo me toma por inteiro,
e me sobrevém o cansaço,
e já não sei descinir entre o certo ou o incerto!
E desesperado, eu preciso daquele seu saudoso abraço,
ou mesmo daquele seu afago,
que me fazia se sentir valorizado...
Ah, tu que me deu nome que nem meu era,
e que me ensinou a a lutar pelo o que eu fosse acreditar,
foi você que me ensinou a esperar,
e mesmo sendo ateu,
me ensinou a reagir e levantar;
E que quando nada mais houvesse a fazer
eu não deveria deixar a esperança morrer
pois um milagre poderia acontecer!
Hoje eu me apego a seus ensinamentos,
me apego a todo esse sentimento,
que trago aqui dentro de mim...
A saudade que tenho de você é um triste tormento!
Mas de ti eu jamais me esquecerei...
Por nenhum instante, nenhum momento!
Irmãos, podemos ter vários,
amigos, podemos ter muitos,
namoradas podemos ter um sem numero...
Mas pai só tem um só!
Ele é o cara que nos ensina
a escrever a história mais linda:
em meu coração tu estará pra sempre,
com seu sorriso disfarçado,
com a sua história mais bonita,
e mesmo o seu caloroso abraço!
Essa é a lembrança de amor mais infinita!
idoso_no_banco

Homenagem em memória de Milton Araújo Rabayoli, meu pai…
(1912-1992)